Vi uma discussão sobre drogas muito interessante, sexta-feira passada. Duas pessoas falaram a respeito, o primeiro falando sobre o efeito, das principais drogas usadas no Brasil, nas pessoas e o segundo sobre como é importante ter a mente aberta para novas abordagens sobre esse tema da seguinte perspectiva: como se vai "curar" um drogada caso ele ache que é feliz nessas condições? Assim, sob este pretexto, argumentaram que o uso da droga se dá a partir dum contexto no qual o sujeito está inserido, e que isto deveria ser investigado para uma análise mais completa do indivíduo (diferenciando-o do status "drogado" e tratando-o como um "sujeito"). Muito interessante porque os dois desconstruíram o refrão da RBS de "drogas nem pensar" para "drogas, repensar!".
Os dois tinham uma posição de legalização das drogas (legalizar pelo fato de que já se usam elas) e de que todos nós somos drogados (consumimos café, chimarrão, cerveja, cigarro, chocolate, etc). Além disso, praticamente se defendeu que o uso se dá por parte de uma pessoa, e temos que respeitá-la acima de tudo. Então, se ela quer usar, "quem sou eu para dizer que ela está errada?"
Também disseram que poderia ser interessante que o governo produzisse drogas de alta qualidade de modo a se ter uma diminuição nos danos aos usuários, o que poderia vir a postergar a morte das pessoas.
Acredito que essa argumentação é bonita quando se está num cursinho, mas temos que fazer algo mais concreto e de verdade.
A argumentação que deveriam utilizar é de que os gastos com o combate ao uso, venda, transporte e produção das drogas é muito custoso, e de que seria mais interessante tratar as drogas como um problema de saúde pública, como o caso de Portugal, de modo que se permitisse existir uma estrutura que possibilita-se um acompanhamento e tratamento dos drogados. E que isso se mostrou ser mais barato (por enquanto), apesar de os índices de uso não terem diminuídos.
Também é de vital importância analisar as externalidades do uso de drogas como cocaína, álcool e loló. Quando alguém vira alcóolatra, ele não vira sozinho, a família inteira vira alcolista. Toda a família sofre junto com aquela pessoa. Com as drogas ocorre o mesmo. Numa visão puramente matemática, é muito dinheiro gasto na formação de capital humano para que se jogue fora do dia para a noite para que a pessoa possa ter um barato por alguns instantes e, a partir dali, afetar todos à sua volta sob uma menor eficiência nas suas atividades. Para quem depende daquele indivíduo, isso se torna um problema muito sério.
Ser filho de um alcolista e ter que buscar o pai ou mãe no bar, caído de bêbado na calçada, a humilhação que a criança passa. As dívidas geradas.
O número de pessoas mortas por motoristas alcoolizados todos os anos no Brasil são altíssimos.
Se não houvesse essa questão de externalidades negativas às pessoas que convivem (família, amigos, vizinhos), acho que seria tranquilo todos estarem usando. Então, o que fazer?
-Será que legalizar e regulamentar a sua produção como acontece com o cigarro seria interessante? A soma do que se gasta com combate às drogas, mais os impostos arrecadados na produção/venda delas, possibilitariam uma redução gradual de seu consumo através de propaganda (como ocorre com o cigarro) e conseguiriam diminuir os custos à sociedade (sob a forma de saúde ou manutenção dos espaços onde se consumiriam-nas, por exemplo)?
-Com a legalização do uso, produção, transporte e venda, como seria que se dariam as relações de alguém que não está no estado "normal" esperado na rua?
-Como se trataria a questão da família que não quis que acontecesse isso com seu parente? Que perdeu mais um braço para o trabalho, que pode vir a afetar as relações na casa (talvez uma mãe ou pai que ficam tempo demais no barato e não dão atenção suficiente para a filha ou filho e este acabe entrando nesse mesmo caminho, não como opção, mas que a situação o "obrigou")?
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